10 mil milhões de pessoas para alimentar em 2055

A população mundial tem crescido a um ritmo elevado sobretudo desde os anos 60. Por essa altura, a população mundial atingiu os 3 mil milhões de pessoas, depois do primeiro mil milhão ter sido atingido cerca de 150 anos antes (1804).

Em 2019 a população mundial vai chegar aos 7.7 mil milhões de pessoas e estima-se que chegue a 10 mil milhões em 2055.

Evolução da população mundial desde 1800 (fonte worldometers).

Ainda que as taxas de fertilidade tenham caído a pique desde os anos 50 o aumento da esperança média de vida chegou não apenas para absorver este impacto como ainda ser o impulsor para o aumento da população mundial (link aqui):

  • A média de filhos esperados por mulher desceu de 5 na década de 50 para 2.5 na década de 2010
  • A esperança média de vida global para alguém nascido em 1950 era de 48 anos enquanto que nesta década já é de 69 anos.
Isto levanta questões óbvias de sustentabilidade: como vamos conseguir alimentar 10 mil milhões de pessoas se sem sequer conseguimos atualmente alimentar 7.5 mil milhões? E como vamos fazer isto de forma sustentável sem colocar em risco a qualidade dos alimentos que consumimos?

Por um lado, a agricultura orgânica não é tão eficiente como a agricultura convencional em termos de produtos produzidos por km2 contudo, pelo outro requer menos energia e os seus benefícios para a saúde são reconhecidos. No gráfico em baixo mostra-se o resultado de um estudo produzido em 2017 que compara os impactos em várias áreas da agricultura biológica vs. agricultura convencional para diferentes produtos (link aqui):

Comparação entre agricultura biológica e agricultura convencional em termos de emissões de gás, uso de terreno e uso de energia (link aqui).

Numa realidade em que 50% da superfície terrestre habitável (ou seja, excluindo os oceanos, glaciares, desertos, …) já é utilizada para agricultura e há um limite físico à quantidade de espaço disponível, por isso será sempre preciso otimizar a rentabilidade das produções agrícolas por km2. Ora… isso é exatamente o que a agricultura convencional e o uso de fertilizantes e pesticidas permite e que têm sido utilizados intensamente desde o meio do século XX. No entanto, isso traz outros tantos riscos que são a razão para o crescimento recente da agricultura biológica.

Segundo dados do organismo de agricultura das Nações Unidas (link aqui) só existem 26 países globalmente com uso mais elevado de fertilizantes do que Portugal, entre os anos de 1990 e 2016, entre os 165 países que têm dados disponíveis:

Quantidade de fertilizante (kg) por hectare cultivado. Média entre 1990 e 2016 (link aqui).

Os efeitos claros para a saúde pública do uso de fertilizantes é um tema que tem vindo a ser cada vez mais investigado recentemente, ainda que haja poucas conclusões sobre qual é o seu real impacto (link aqui). A título de exemplo, existe um estudo que está a ser realizado a agricultores na Costa Rica para perceber o impacto que o uso intensivo de fertilizantes e pesticidas tem não só nos agricultores e nas suas produções como nas populações circundantes (link aqui).

Mas o impacto da agricultura biológica não se fica pela saúde pública - são conhecidos os seus benefícios em termos de sustentabilidade no longo prazo, menor impacto nos solos e nas águas, redução de energias não-renováveis, … (link aqui).

Estas razões têm levado mais e mais pessoas a optarem por se alimentarem de produtos biológicos, mas ainda representam apenas 1% de toda a produção mundial. Em 2017, 7% de toda a área dedicada à agricultura foi orgânica na Europa, números em crescimento mas ainda muito baixos.

Percentagem de área dedicada a produção orgânica no ano 2017 na Europa, segundo dados do Eurostat (link aqui). Portugal encontra-se na média europeia.

Esta é uma questão urgente para a qual não parece haver uma resposta clara:

  • Conseguirá a produção orgânica ser rentável ao ponto de conseguir lidar com o aumento da população mundial? E se não, qual é a alternativa? Estar dependente da agricultura convencional que já se provou provocar danos a biodiversidade de animais e plantas?
  • Será vertical farming uma possibilidade? Até onde poderá chegar a tecnologia para ajudar a resolver este problema?
  • E nós… não precisaremos também de alterar os nossos hábitos de consumo? Desculpem mas a vida não faz sentido se nos tivermos de alimentar de Huel

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